Super Mario World

Sou extremamente grato por ter vivido a mesma era de Shigeru Miyamoto, Koji Kondo e do lendário time da Nintendo responsável por este jogo incrível!

Um jogo atemporal. Mesmo nos dias atuais, Super Mario World possui uma jogabilidade extremamente agradável, acessível e divertida. Esses ingredientes, somados à relevância histórica que o título possui tanto para a Nintendo quanto para a indústria de games, fazem dele um dos jogos mais importantes de todos os tempos, presente em listas de jogos essenciais ao redor do mundo.

Neste artigo, vamos nos aprofundar em Super Mario World e tentar entender, na medida do possível para nossas mentes limitadas, quais são as características que o mantêm relevante até hoje — e, de quebra, apreciar a genialidade de Shigeru Miyamoto, que conseguiu criar algo aparentemente simples, mas praticamente impossível de ser imitado ou superado.

Sumário

O que era Bom Ficou Melhor

Já compreendemos o impacto e a importância do lançamento do console Super Nintendo Entertainment System (SNES) no início dos anos 90 — um momento de transição de gerações que merecia um jogo à altura. A Nintendo já possuía um leque de franquias importantes, como The Legend of Zelda, Metroid e Kirby, mas a escolha era óbvia. Super Mario Bros. 3, do Nintendinho, havia elevado o padrão dos jogos caseiros a outro patamar. Tratava-se de um personagem que, naturalmente, já se consolidava como o mascote da empresa. Dessa forma, o encanador bigodudo foi escolhido para inaugurar a era dos 16 bits da Nintendo, e o gênero de jogos de plataforma recebeu, sem a pretensão de sê-lo, um de seus títulos mais importantes da história.

Assim, Super Mario World foi lançado no Japão em 21 de novembro de 1990, como título de lançamento do Super Famicom, chegando à América do Norte em 23 de agosto de 1991 (para o SNES) e sendo lançado posteriormente na Europa em 11 de abril de 1992 e na Austrália em 1º de julho de 1992.

Super Mario World foi lançado para Super Nintendo quase um ano depois que o lançamento para Super Famicom.

Super Mario World foi visto oficialmente pela primeira vez na feira japonesa Shoshinkai, em 28 de julho de 1989, durante um evento de imprensa da Nintendo. A apresentação mostrou o jogo ainda em desenvolvimento e marcou a primeira ocasião em que o público tomou conhecimento formal da existência do projeto, antes de seu lançamento final.

Para Toda a Família

Super Mario World replica o feito de seu antecessor, Super Mario Bros. 3, lançado apenas dois anos antes: eleva o padrão de qualidade almejado para jogos eletrônicos, redefine todo um gênero — o dos jogos de plataforma — e coloca a Nintendo em um patamar de competitividade de mercado extremamente arrojado.

Em materiais históricos, Shigeru Miyamoto — a mente criativa por trás de Mario — explicou que um dos grandes objetivos era desenvolver um jogo que não apenas fosse acessível às crianças, mas que representasse um mundo ao qual elas quisessem retornar repetidamente, e que seus pais pudessem observar com orgulho — e não com estranhamento ou preocupação — enquanto seus filhos jogavam. A partir daí, percebe-se um dos valores centrais da Nintendo como desenvolvedora: garantir que seus jogos sejam acessíveis, divertidos e adequados para todas as idades. Essas características se refletem em praticamente todas as suas principais franquias. Metroid, talvez, tenha adotado um tom mais denso e atmosférico, mas ainda assim permanece alinhado a essa filosofia, sendo amplamente considerado apropriado para o público pré-adolescente.

Algumas capturas de tela de Super Mario World.

A Terra dos Dinossauros e uma Parceria Incrível

As histórias que cercam os jogos de Super Mario nunca pretenderam ser dignas de Oscar, mas cumprem bem o papel de criar um pano de fundo funcional para o que se desenrola na tela. Em Super Mario World, Mario, Luigi e a princesa Peach estão tirando férias em um lugar chamado Terra dos Dinossauros. No entanto, o maligno Bowser decide, mais uma vez, raptar a princesa e aprisionar magicamente os habitantes da região — os dinossauros — dentro de ovos.

Logo no início da aventura, Mario encontra aquele que se tornaria um grande amigo e parceiro de inúmeras jornadas: um pequeno dinossauro verde e carismático chamado Yoshi.

Yoshi é um exemplo claro da genialidade de Super Mario World. Ao utilizá-lo, o jogador passa a atravessar níveis e fases de formas diferentes e, em muitos casos, mais acessíveis. Ele amplia de maneira significativa o leque de movimentos possíveis, algo percebido até de forma simbólica na trilha sonora: o arranjo do tema das fases sofre uma leve alteração, com maior presença de percussão enquanto Yoshi está em cena.

Super Mario e Yoshi tem até um LEGO para chamarem de seu.

O personagem possui quatro variações de cor, cada uma com habilidades específicas. A mais cobiçada é a versão azul, que permite voar de maneira totalmente controlável ao manter um casco de tartaruga na boca. Aliás, a boca é o principal instrumento de Yoshi: sua língua comprida captura facilmente a maioria dos inimigos, que acabam servindo como um lanche e contam para o progresso de moedas de Mario.

A Terra dos Dinossauros é apresentada como um grande continente, composto por uma variedade de biomas com identidades visuais e temáticas próprias, que influenciam diretamente o ritmo e a dinâmica do gameplay. Esses ambientes são interconectados de forma coesa, transmitindo ao jogador uma forte sensação de continuidade — algo que, curiosamente, muitos jogos modernos ainda têm dificuldade em alcançar.

O mapa de Super Mario World, diferentemente de seu antecessor, é parte ativa do gameplay, e não apenas uma ferramenta de navegação. Fases marcadas com ícones vermelhos adicionam um charme especial ao esconder saídas secretas. Ao todo, o jogo conta com 96 saídas, e aqueles que descobrem todas recebem o título de Super Jogadores — entendedores entenderão.

Os biomas de Super Mario World são interconectados de forma coesa, transmitindo ao jogador uma forte sensação de continuidade.

Refinamento no Estado da Arte

Super Mario World foi desenvolvido em uma época em que os jogos eram, antes de tudo, expressões criativas de seus autores. O retorno financeiro surgia como consequência de uma obra bem executada. Mesmo com um público-alvo menos exigente do que o atual — ainda em um período relativamente próximo ao crash dos videogames nos Estados Unidos —, o time de desenvolvimento buscou, em cada mecânica, ação ou detalhe, um alto nível de excelência.

O controle de Mario é perfeito, a ponto de permitir extremos técnicos que beiram o absurdo, como demonstram hack ROMs modernas, a exemplo de Kaizo Mario World e seus derivados. Mario pode correr, saltar em diferentes alturas de acordo com a pressão do botão, olhar para cima e arremessar objetos, se abaixar, deslizar, nadar, escalar cipós, executar o movimento giratório, inflar-se como balão, saltar de Yoshi a alturas impressionantes, usar o próprio Yoshi como tábua de salvação (quem nunca?), voar, planar, utilizar a Capa para atacar inimigos e quebrar blocos, entre muitas outras possibilidades. Para um jogo lançado em 1990, trata-se de um leque de movimentos simplesmente impressionante até para os dias atuais.

Voar, voar. Subir, subir.

Aqui, vale um destaque especial para a mecânica de voo de Super Mario World. Diferentemente de seu antecessor, ao fim do impulso inicial, Mario pode utilizar a Capa como um balão e planar por longos períodos, mantendo o controle da descida até encontrar um obstáculo ou alcançar o final da fase. Confesso que, até hoje, recorro a essa mecânica em alguns dos desafios mais exigentes do jogo.

Uma Composição para Várias Abordagens

Koji Kondo é um verdadeiro gênio musical. Constatar isso é relativamente simples: basta ouvir, ainda que brevemente, as trilhas sonoras das séries Super Mario e The Legend of Zelda. Em Super Mario World, o compositor inovou ao criar um tema musical base, a partir do qual derivou as diferentes composições que acompanham as fases do jogo. Esta é uma curiosidade que, graças à minha limitação artística, só tive conhecimento muitos anos depois, a partir do material e do conhecimento compartilhados na internet.

As músicas de Super Mario World expressam com precisão o que cada fase exige do jogador. Exemplos claros disso são os temas das fortalezas e das casas mal-assombradas, que reforçam a sensação de perigo, tensão e estranhamento sem jamais se tornarem intrusivos.

O salto de qualidade sonora proporcionado pela geração 16 bits contribuiu de forma decisiva para que a trilha sonora de Super Mario World se tornasse icônica e memorável, posicionando-se ao lado das composições dos jogos anteriores da franquia em termos de relevância histórica.

Da esquerda para a direita, Mario posa ao lado da equipe criativa da Nintendo — Takashi Tezuka, Shigeru Miyamoto e Koji Kondo — durante uma apresentação ao vivo de músicas de Mario para marcar o 30º aniversário da franquia, em Tóquio, em setembro de 2015. (Toshifumi Kitamura/AFP/Getty Images)

Em uma era de Tutoriais

Super Mario é um verdadeiro professor de level design. É fato que o jogo possui, em algumas fases, caixas de texto com explicações, mas a mecânica básica de como tudo funciona é ensinada ao jogador de forma amistosa, gradual, natural e, sobretudo, não punitiva. Cada fase é um convite à exploração. Aqueles mais ousados são amplamente recompensados com mundos secretos, fases extras e desafios adicionais.

Com o avanço pelos mundos, as mecânicas mais simples dão lugar a desafios mais arrojados, ainda assim totalmente superáveis. Jogadores hardcore podem buscar desafios adicionais por meio de hack ROMs deliberadamente punitivas ou de conquistas especialmente exigentes no RetroAchievements, como aquelas que exigem a conclusão dos mundos sem o uso de power-ups ou checkpoints.

Teria a Nintendo se inspirado na quantidade absurda de hack ROMs de seus jogos para criar Super Mario Maker? Nunca saberemos...

Desconheço um jogo que tenha envelhecido tão bem quanto Super Mario World. Até hoje, vemos dezenas de jogos lançados anualmente que bebem da mesma fonte: a fase no gelo que escorrega, o estágio que avança sozinho e exige rápida adaptação do jogador, o fogo que causa a perda de uma vida, o buraco que é fatal — mas nem sempre. Os exemplos são numerosos e se repetem constantemente, inclusive em jogos de gêneros distintos.

Outra Dimensão?

Uma das curiosidades mais interessantes de Super Mario World só se revela para quem vai além do caminho “normal” do jogo. Ao finalizar o Special World — aquele conjunto de fases com nomes inspirados nos estágios do desenvolvimento do jogo, como Gnarly, Tubular e Awesome — algo inesperado acontece: todo o Reino dos Dinossauros muda. A paleta de cores é alterada, muitos inimigos ganham novas aparências (os Koopas ficam sem casco, os Bullet Bills viram Pidgits, entre outros detalhes curiosos) e o jogo assume um tom quase de “mundo alternativo”. Não é um novo modo, nem um bônus explícito, mas uma recompensa silenciosa para o jogador mais dedicado. Um daqueles segredos que não são anunciados, não explicados, e que fazem Super Mario World parecer maior, mais vivo e mais inteligente do que ele já é.

O Vendedor de Consoles

Super Mario World vendeu, ao longo do globo, cerca de 20,6 milhões de unidades. Boa parte dessas vendas decorreu de sua inclusão em kits acompanhando o console. E, de fato, dificilmente poderia ter sido diferente: o melhor jogo junto do melhor console.

Uma curiosidade interessante é que, apesar desse número expressivo, Super Mario World teve uma tiragem relativamente modesta para venda avulsa. Como consequência, versões CIB (Complete in Box) — jogos completos, com caixa, manual, berço e panfletos — tornaram-se extremamente valorizadas ao longo dos anos, sendo vendidas atualmente no eBay pela bagatela de pouco mais de R$ 3.000, em valores convertidos e sem a inclusão de impostos.

Uma alternativa mais acessível para colecionadores é a compra do cartucho solto, que pode ser encontrado por cerca de R$ 200, combinado com uma caixa repro, que custa em torno de R$ 30. Essas reproduções, hoje, apresentam excelente qualidade, fruto dos avanços gráficos e tecnológicos, e cumprem muito bem o papel de exposição do jogo em uma coleção.

Na data de publicação deste artigo, uma cópia graduada de Super Mario World pode ser encontrada por até US$ 75 mil no eBay.

O Jogo da Minha Vida

O Super Nintendo é, para mim, o console da minha vida — assim como Super Mario World é o jogo da minha vida. Falar sobre ele me traz uma alegria genuína, pois foi responsável por incontáveis horas de diversão, felicidade e encantamento.

Eu não tive o jogo original. Meu console veio com um cartucho pirata japonês, e minha cópia de Super Mario World fazia parte daqueles cartuchos com vários jogos. Como era comum na época, cartuchos assim não possuíam sistema de salvamento.

Para conseguir finalizá-lo, eu deixava o console ligado por dias a fio, consumindo energia elétrica sem qualquer culpa. Até que, certo dia, ao chegar da escola, encontrei a fonte do console no chão. Minha avó, deficiente visual, havia chutado a fonte sem querer.

É o jogo da minha vida!!

Lembro desse momento como se fosse hoje — eu tinha cerca de 11 anos.

Aquilo me marcou profundamente e, de certa forma, aumentou ainda mais minha determinação em zerar o jogo. Mesmo que, para isso, fosse necessário deixar o console ligado por mais alguns dias. E assim foi feito.

Super Mario World faz parte da minha vida desde os nove anos de idade. De uns tempos para cá, acabo jogando-o, naturalmente, pelo menos uma vez por ano, com o objetivo de completar novamente todas as saídas. Ele se tornou um verdadeiro comfort game para mim, em um mundo cada vez mais repleto de jogos que se assemelham a um segundo trabalho.

Sou extremamente grato por ter vivido a mesma era de Shigeru Miyamoto, Koji Kondo e do lendário time da Nintendo responsável por este jogo incrível!

O Plataforma Definitivo

Muitos anos se passaram e, na minha modesta opinião, Super Mario World segue sendo, até hoje, o jogo de plataforma definitivo. Atualmente, ele é extremamente acessível: pode ser jogado no Nintendo Switch, em consoles anteriores da Nintendo e até mesmo em um SNES de época. Também está amplamente disponível por meio de emulação, das mais diversas formas possíveis, e continua, décadas depois, arrastando multidões e conquistando novos fãs ao longo dos anos.

Mario tornou-se um grande ícone da cultura pop, levando multidões às filas do cinema, aos parques temáticos e consolidando-se também como um poderoso vendedor de brinquedos, pelúcias, acessórios de todos os tipos e, claro, videogames. Certamente, Super Mario World teve um papel fundamental nessa trajetória — uma história que a Nintendo soube, e ainda sabe, nutrir de forma extremamente eficiente, por meio de lançamentos recorrentes e de uma estratégia sólida de branding e marketing.

Se você, meu amigo leitor, ainda não conhece Super Mario World, pare agora mesmo o que está fazendo e vá conferir o game. Tenho absoluta certeza de que você não irá se arrepender.

Análise em Vídeo por Arquivando Jogos

Gameplay não comenta por Arquivando Jogos

Comerciais e Trailers

Manual de Instruções [EUA]

Manual de Instruções [JPN]

10,0

Publisher: Nintendo
Desenvolvedora: Nintendo EAD
Plataforma: Super Nintendo Entertainment System
Lançamento: 21 de novembro de 1990

Super Mario World não é apenas o jogo mais representativo do Super Nintendo, mas um dos pilares da história dos videogames. Lançado como título de estreia do console, ele definiu padrões de jogabilidade, design de fases e progressão que influenciam jogos até hoje. Sua combinação de controles precisos, mundo interconectado, múltiplos caminhos e incentivo à exploração estabeleceu uma nova régua para jogos de plataforma e consolidou o SNES como referência absoluta da era 16 bits.

Prós

  • Controles extremamente responsivos e refinados.
  • Level design que ensina jogando.
  • Mapa-múndi orgânico e explorável.
  • Grande variedade de mecânicas e situações.
  • Curva de dificuldade bem calibrada.

Contras

  • Ter um fim